Foi-nos proposto na uc de Educação e Sociedade em Rede, do Mestrado de Pedagogia do e-Learning, que comentássemos sobre a noção de cibercultura, tal como defendida por Lévy, tendo como ponto de partida o vídeo da participação do mesmo no Programa Roda Viva, em 2001.
Iremos começar analisando a analogia do dilúvio informativo vivenciado nas últimas duas décadas.
A humanidade passou por 'dilúvios' significativos no último século, sendo o primeiro, o demográfico, que fez com que o nosso planeta albergasse de 1 bilhão e meio em 1900 para 6 bilhões de seres humanos em 2000.
Em função disso as demandas também multiplicaram-se assim como as alternativas para atender.
Alimentos para o corpo e para a mente são necessários e estratégicos para manter a roda do progresso girando. E ela gira muito rápido...
Em um desses giros recebemos um outro grande 'dilúvio': a socialização e utilização em massa da grande rede de alcance mundial, a www ou web, que teve início na primeira metade da década de 90 do século passado.
A web, num curto espaço de tempo, virou um 'mar', onde, literalmente, navegamos e buscamos respostas para as nossas perguntas.
No Livro Cibercultura, de Pierre Lévy, escrito em 1999, o autor formata reflexões acerca de uma nova cultura, originada das relações através de redes de computadores.
A primeira delas diz respeito aos dilúvios, e quanto ao dilúvio de informações da rede, não podemos agir como Noé, que fez um apanhado de todas as espécies existentes. Um resumo.
Não podemos fazer um resumo.
Não podemos mais abraçar o 'todo'.
Somos livres para buscar e navegar, mas essa liberdade também nos traz uma grande angústia . Precisamos ter consciência de nossa responsabilidade na atribuição de sentido acerca do que buscamos na rede e é fundamental fazer uma filtragem, uma seleção, uma hierarquização, para dar um sentido às informações.
Outro ponto importante na universo da Cibercultura são as dimensões relacionais que acontecem nos grupos de discussão da web, que dão origem às memórias coletivas oriundas da interação entre as pessoas, que ficarão disponíveis em repositórios, alimentando outras buscas e construção de outras memórias, conforme ilustramos na figura a seguir:
Lévy trabalha o termo de forma 'otimista', como ele mesmo afirma; e 'utópica', como classifica a Wikipedia, quando "refere-se ao advento de novas mídias e como estas influenciam a sociedade, formando subculturas.".
Partindo do conceito de que Cibercultura é o "conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço"(1), relacionamos exemplos significativos que convergem para a definição de Lévy:
1. Google, como ferramenta de pesquisa.
2. Facebook, como ferramenta de interação social.
3. Moodle, como ferramenta de apoio e interação acadêmica.
Esses três exemplos nos mostram a grande importância que essas ferramentas tiveram e tem na cibercultura, transformando a práxis de como buscávamos renovar e/ou ampliar os nossos saberes, nos relacionar e aprender de forma colaborativa e sem as limitações do tempo e do espaço.
Abaixo segue o vídeo para que você também aprecie.
Finalizamos aqui a exposição de nossa leitura acerca das noções básicas da cibercultura, esperando contribuir para a memória coletiva acerca desse tema.
Abraços e até a nossa próxima postagem!
Referências:
(1) Lévy, P. (1999) Cibercultura (p.17). São Paulo: Editora 34

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