Para mim, pensar a educação não é tarefa fácil, tampouco
simples.
Suas várias faces e veículos guardam em si especificidades
que não consigo abarcar com minha visão ainda bastante limitada.
Sempre fui muito pragmática e com dificuldades em navegar no
terreno das abstrações. Gosto de pensar, desde que uma ação concreta esteja em
foco. Minha formação técnica forjou-me extremamente operacional e esse perfil
me faz olhar com estranheza discussões que se repetem, mudando apenas as
terminologias.
Meu lado realista-esperançoso, como se auto definia o mestre
Ariano Suassuna, não concorda quando se diz que o “desenho educativo atual está
obsoleto”. Afinal, se nos voltarmos um pouco para o passado não muito distante,
constatamos os avanços dos processos de ensino e aprendizagem, respaldados por
teorias extremamente lúcidas e coerentes com a evolução de nossa sociedade.
O papel do professor vem sendo repensado há muito tempo, e
há quase 100 anos atrás, Vygotsky já defendia a ideia de que o professor
deveria atuar como ‘mediador’ entre o aluno e o mundo, colocando a “interação”
(Sim! A interação que tanto falamos na EaD), como o foco do processo de
aprendizagem.
Concordo com uma colega do mestrado, quando reflexiona que
os avanços existem, sim. Perfeita sua afirmação de que “Pior que ter pouco é
ter muito sem qualidade” e de que a “essência não está nas ferramentas”, que me
faz pensar em como privilegiamos o “meio”, em detrimento do “fim” que
almejamos, como educadores. Penso que o educador/professor é um agente de
transformação. Temos o grande desafio de compartilharmos nossos saberes sem
eclipsar o saber do outro. Precisamos construir juntos, ideias e ações...
Hoje temos um sem número de recursos que podemos usar a
nosso favor, mas infelizmente, também temos inúmeras dificuldades. Talvez a
maior de todas sejam as limitações impostas pelas questões políticas, como tão
bem citou um outro colega. O saber é perigoso! “Do ponto de vista critico, é
tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o
caráter educativo do ato político”, já dizia o mestre Paulo Freire (1989). Fica
difícil confrontar o poder institucionalizado, nem um pouco comprometido com a
autonomia e o livre pensar de seus governados. Precisamos trabalhar no micro, no
exercício anônimo de nosso ofício, a fim de contribuir de forma efetiva para a transformação
da sociedade em que vivemos.
O mestrado em Pedagogia do e-Learning, da Uab-PT, vem me
proporcionando acessar os referenciais teóricos que serão muito úteis para embasar
meu ofício, pois a prática sem a teoria fica ‘capenga’.
Estou feliz em estar aprendendo isso, apesar de estar com
muita dificuldade em conciliar a vida acadêmica com a rotina de trabalho.
Abraços a todos!