quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reflexão sobre a Virtualização da Relações Sociais



Como seres gregários que somos, temos a necessidade nata de conviver com outras pessoas, o que dá origem as relações sociais.

Para que essas relações ocorram de forma efetiva e significativa, os meios e formas de comunicação vêm se especializando ao longo do tempo, culminando com o uso intenso e massivo das tecnologias, que como diz Levy, “...são produtos de uma sociedade e de uma cultura”1 (pág. 22) , levando-nos a refletir que o processo de virtualização das relações sociais é natural e coerente com o atual momento de progresso da espécie humana.
Cabe-nos refletir e analisar os prós e os contras dessas relações.

O mote que nos foi dado na unidade curricular de Educação e Sociedade em Rede, da Mestrado em Pedagogia do e-Learning, parte do vídeo do fenômeno dos Chinese Boys, cuja postagem remota ao ano de 2005. Garotos chineses que fazem a dublagem de uma música de sucesso na época, de uma banda estadunidense.

Os vídeos que se tornam virais, por serem curtidos e compartilhados por milhares de pessoas em um curto espaço de tempo, são cada vez mais comuns, e com características múltiplas e distintas entre si.
Enquanto alguns preocupam-se com temas concretos e reais, tendo como objetivo instigar a reflexão e tomada de ação, em prol da resolução de problemas que enfrentamos em sociedade, outros tem como foco o entretenimento, sem comprometimento algum com a verdade ou com a ética.

Um ponto que nos desperta muita atenção, e que é uma preocupação tratada por Virilio em sua visão pessimista acerca das cibercultura é a desconexão do sujeito de seu contexto cultural real, tão bem retratada pelo vídeo em tela, no qual jovens orientais reproduzem uma música ocidental. A primeira vista, qual o problema que poderá haver na brincadeira de imitar artistas? Mas então pensamos: será que um vídeo desses mesmos jovens imitando um grupo local também tornar-se-ia viral? Temos ainda o agravante de que a repercussão da ação desses jovens tem um grande impacto na sua formação, pois o modelo que será reproduzido será aquele que o faz mais popular e admirado pelos seus pares, e naturalmente não será fortalecida a sua cultura local.

Sobre a autenticidade na rede, somos levados a refletir e comparar com os comportamentos e atitudes fora dela, afinal, a web é um reflexo do mundo real, uma tela onde se reproduz cenários com cores muito mais fortes e intensas, mas advindas da persona de seus usuários, e da mesma forma como simulamos, escondemos e mentimos nas nossas relações “reais”, teremos, naturalmente, a tendência de reproduzir esse comportamento nas redes virtuais.

Mas, como tudo na vida, existe o lado positivo da fantasia e da simulação nas relações sociais. O mesmo aspecto que levou grandes escritores a criarem um “outro eu”, um “alterego”: Fernando Pessoa, com Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis; Franz Kafka, com Gregor Samsa; e até o próprio Freud, o pai da psicanálise, considerou como seu próprio eu um grande amigo com quem trocou cartas por longos anos, Wilhelm Fliess. A complexidade de nossa mente nos leva a criarmos estratégias que nos ajude a entender e lidar com as várias ‘faces’ de nossa personalidade, além também de personificar o desejo de ser e agir de forma diferente.

Mas também temos os limites, relacionados sempre às consequências que nossos atos e ações podem ocasionar ao nosso próximo, e esse é o ponto nevrálgico de todas as relações sociais.

Esse é o grande desafio dos tempos atuais: estudar e intervir de forma positiva e transformadora nas relações sociais, incluindo a grande rede virtual que estamos inseridos, estimulando os aspectos positivos, que contribuem fortemente para o progresso através da criatividade e criando formas de privilegiar as relações saudáveis, pautadas no respeito e fraternidade com o nosso próximo.

A educação tem papel estratégico nesse processo, mas é imprescindível a participação de outras áreas de conhecimento, como a psicologia, antropologia, sociologia e outras que possam agregar valor à essa grande empreitada de contribuir para o amadurecimento e fortalecimento das relações sociais, sejam elas virtuais ou não.

Abaixo compartilhamos um vídeo que aborda a questão das relações sociais virtuais de forma bem interessante.

Abraços e até a próxima!



Referências:
(1) Lévy, Pierre. (1999). Cybercultura. São Paulo: Editora 34.

Um comentário:

  1. Olá, Andrea.
    Muito boas reflexões.
    Eu também, enquanto fazia as análises, lembrei do escritor Fernando pessoas e outros artistas que são conhecidos por outro nome que não são os seus originais.
    Quanto as redes virtuais e reais, também concordo, pois conhecer o outro é complexo. Vemos o que o outro nos deixa ver. Cada um tem a sua privacidade.
    Obrigado pela partilha do vídeo.
    Abraços.
    Aparecida Torres

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