Como seres gregários que somos, temos a necessidade nata de conviver com outras pessoas, o que dá origem as relações sociais.
Para que essas relações ocorram de forma efetiva e
significativa, os meios e formas de comunicação vêm se especializando ao longo
do tempo, culminando com o uso intenso e massivo das tecnologias, que como diz
Levy, “...são produtos de uma sociedade e de uma cultura”1 (pág. 22) , levando-nos
a refletir que o processo de virtualização das relações sociais é natural e
coerente com o atual momento de progresso da espécie humana.
Cabe-nos refletir e analisar os prós e os contras dessas
relações.
O mote que nos foi dado na unidade curricular de Educação e
Sociedade em Rede, da Mestrado em Pedagogia do e-Learning, parte do vídeo do
fenômeno dos Chinese Boys, cuja
postagem remota ao ano de 2005. Garotos chineses que fazem a dublagem de uma
música de sucesso na época, de uma banda estadunidense.
Os vídeos que se
tornam virais, por serem curtidos e compartilhados por milhares de pessoas em um
curto espaço de tempo, são cada vez mais comuns, e com características múltiplas
e distintas entre si.
Enquanto alguns
preocupam-se com temas concretos e reais, tendo como objetivo instigar a
reflexão e tomada de ação, em prol da resolução de problemas que enfrentamos em
sociedade, outros tem como foco o entretenimento, sem comprometimento algum com
a verdade ou com a ética.
Um ponto que nos desperta
muita atenção, e que é uma preocupação tratada por Virilio em sua visão
pessimista acerca das cibercultura é a desconexão do sujeito de seu
contexto cultural real, tão bem retratada pelo vídeo em tela, no qual jovens orientais
reproduzem uma música ocidental. A primeira vista, qual o problema que poderá
haver na brincadeira de imitar artistas? Mas então pensamos: será que um vídeo
desses mesmos jovens imitando um grupo local também tornar-se-ia viral? Temos
ainda o agravante de que a repercussão da ação desses jovens tem um grande
impacto na sua formação, pois o modelo que será reproduzido será aquele que o
faz mais popular e admirado pelos seus pares, e naturalmente não será
fortalecida a sua cultura local.
Sobre a autenticidade na rede, somos levados a refletir e
comparar com os comportamentos e atitudes fora dela, afinal, a web é um reflexo do mundo real, uma tela
onde se reproduz cenários com cores muito mais fortes e intensas, mas advindas
da persona de seus usuários, e da mesma forma como simulamos, escondemos e
mentimos nas nossas relações “reais”, teremos, naturalmente, a tendência de
reproduzir esse comportamento nas redes virtuais.
Mas, como tudo na vida, existe o lado positivo da fantasia e
da simulação nas relações sociais. O mesmo aspecto que levou grandes escritores
a criarem um “outro eu”, um “alterego”: Fernando Pessoa, com Alberto Caeiro,
Álvaro de Campos e Ricardo Reis; Franz Kafka, com Gregor Samsa; e até o próprio
Freud, o pai da psicanálise, considerou como seu próprio eu um grande amigo com
quem trocou cartas por longos anos, Wilhelm
Fliess. A complexidade de nossa mente nos leva a criarmos estratégias
que nos ajude a entender e lidar com as várias ‘faces’ de nossa personalidade,
além também de personificar o desejo de ser e agir de forma diferente.
Mas também temos os limites, relacionados sempre às
consequências que nossos atos e ações podem ocasionar ao nosso próximo, e esse
é o ponto nevrálgico de todas as relações sociais.
Esse é o grande desafio dos tempos atuais: estudar e
intervir de forma positiva e transformadora nas relações sociais, incluindo a
grande rede virtual que estamos inseridos, estimulando os aspectos positivos,
que contribuem fortemente para o progresso através da criatividade e criando
formas de privilegiar as relações saudáveis, pautadas no respeito e
fraternidade com o nosso próximo.
A educação tem papel estratégico nesse processo, mas é imprescindível a participação de outras áreas de conhecimento, como a psicologia, antropologia, sociologia e outras que possam agregar valor à essa grande empreitada de contribuir para o amadurecimento e fortalecimento das relações sociais, sejam elas virtuais ou não.
Abaixo compartilhamos um vídeo que aborda a questão das relações sociais virtuais de forma bem interessante.
Abraços e até a próxima!
A educação tem papel estratégico nesse processo, mas é imprescindível a participação de outras áreas de conhecimento, como a psicologia, antropologia, sociologia e outras que possam agregar valor à essa grande empreitada de contribuir para o amadurecimento e fortalecimento das relações sociais, sejam elas virtuais ou não.
Abaixo compartilhamos um vídeo que aborda a questão das relações sociais virtuais de forma bem interessante.
Abraços e até a próxima!
Referências:
(1) Lévy, Pierre. (1999). Cybercultura. São Paulo: Editora 34.


Olá, Andrea.
ResponderExcluirMuito boas reflexões.
Eu também, enquanto fazia as análises, lembrei do escritor Fernando pessoas e outros artistas que são conhecidos por outro nome que não são os seus originais.
Quanto as redes virtuais e reais, também concordo, pois conhecer o outro é complexo. Vemos o que o outro nos deixa ver. Cada um tem a sua privacidade.
Obrigado pela partilha do vídeo.
Abraços.
Aparecida Torres